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Infância sob ataque: intolerância religiosa contra crianças e seus impactos individuais e comunitários

O recente caso de intolerância religiosa envolvendo uma criança na cidade de Paraty, no estado do Rio de Janeiro, expõe uma realidade ainda marcada pela discriminação e pelo constrangimento enfrentados por praticantes de religiões de matriz africana no Brasil.


Na última semana de abril, uma denúncia divulgada por meio de um vídeo nas redes sociais trouxe à tona um episódio ocorrido dentro de um ônibus escolar operado pela empresa Paraty Mobilidade. As imagens, gravadas pela mãe da criança, mostram o filho visivelmente abalado relatando a situação de intolerância praticada por uma monitora do transporte.


Em depoimento emocionado, o estudante afirma que, por frequentar um terreiro de religião de matriz africana com sua família, foi repetidamente impedido de se sentar em determinados lugares do ônibus e, em algumas ocasiões, chegou a ser obrigado a viajar nas escadas do veículo — uma prática, além de discriminatória, extremamente perigosa.


Em nota oficial, a empresa informou o afastamento da monitora envolvida e declarou não compactuar com práticas de intolerância religiosa ou maus-tratos. No entanto, especialistas e lideranças religiosas apontam que medidas administrativas, embora necessárias, não são suficientes para reparar os danos causados.


Violência que ultrapassa o indivíduo


Casos como esse não se encerram com afastamentos ou notas públicas. A violência simbólica e psicológica permanece, afetando não apenas a vítima direta, mas também toda a comunidade à qual ela pertence. A agressão, nesse contexto, não é isolada — ela carrega consigo um histórico de marginalização e silenciamento de tradições afro-brasileiras.


Mesmo quando há responsabilização legal e eventual reparação, as marcas deixadas pela discriminação podem acompanhar a vítima ao longo da vida. No caso de crianças, os impactos tendem a ser ainda mais profundos, pois atingem uma fase essencial do desenvolvimento humano.


Infância e formação: um território sensível


A infância é um período determinante para a construção de identidade, valores e vínculos sociais. É nesse momento que a criança desenvolve habilidades emocionais, cognitivas e sociais, aprendendo a lidar com diferenças, a construir pertencimento e a se reconhecer dentro de um grupo.


Quando uma criança é exposta a situações de humilhação, exclusão ou preconceito, especialmente relacionadas à sua fé e à sua cultura, esses processos são diretamente afetados. A criação de ambientes hostis compromete a autoestima, a segurança emocional e o desenvolvimento saudável.


Racismo religioso e seus efeitos nas comunidades de terreiro


Para crianças que fazem parte de comunidades de matriz africana, a situação é ainda mais delicada. Nessas tradições, o aprendizado ocorre por meio da oralidade, da convivência e da vivência coletiva dentro dos terreiros. A prática religiosa está profundamente ligada ao território, à ancestralidade e à troca entre gerações.


Quando a expressão pública dessa fé é atacada ou constrangida, não se atinge apenas o indivíduo — compromete-se a continuidade de práticas culturais e espirituais fundamentais. A intimidação e o preconceito acabam por restringir o exercício da fé, enfraquecendo laços comunitários e identitários.


A resposta precisa ser coletiva


Diante desse cenário, especialistas e lideranças reforçam que o enfrentamento ao racismo religioso exige ações coletivas. É necessário ampliar o debate público, fortalecer políticas de proteção, garantir a aplicação das leis e promover educação para a diversidade religiosa.


Além disso, conhecer os direitos, denunciar casos de intolerância e praticar a solidariedade são caminhos fundamentais para proteger não apenas indivíduos, mas toda uma herança cultural construída ao longo de séculos.


O caso de Paraty não é isolado — ele revela a urgência de um país que ainda precisa avançar no respeito às diferenças e na garantia de direitos básicos.


Porque proteger a infância é, também, proteger a cultura, a fé e a dignidade de um povo


 
 
 

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