
A lei do retorno e o papel de Exú: entre espiritualidade, ética e responsabilidade individual
- Baba Rodrigo
- há 5 dias
- 2 min de leitura
Por Bàbá Rodrigo Gonçalves
A ideia de que toda ação gera uma consequência atravessa diferentes tradições religiosas, filosóficas e culturais. No universo das religiões de matriz africana, esse princípio é conhecido popularmente como “lei do retorno” e encontra em Exú uma de suas principais representações simbólicas.
Longe da visão estigmatizada construída ao longo dos séculos, Exú não é uma entidade associada à punição arbitrária ou ao caos gratuito. Na tradição iorubá e nas casas de axé, ele é compreendido como o orixá do movimento, da comunicação e dos caminhos aquele que responde às ações humanas com equilíbrio e coerência.
Exú não “cobra” por vingança, mas atua como um agente de justiça espiritual. “Exú é consequência. Ele não cria o erro, apenas responde a ele”. “Quando se diz que Exú cobra direitinho, estamos falando de responsabilidade espiritual, não de castigo.”
A lei do retorno como princípio ético
O conceito de retorno está diretamente ligado à postura do indivíduo diante da vida, das relações e do sagrado. Atitudes como desrespeito, mentira, intolerância e uso indevido da espiritualidade tendem a gerar desequilíbrios que, mais cedo ou mais tarde, se manifestam.
Por outro lado, quem age com retidão, verdade e respeito ao axé encontra abertura de caminhos, prosperidade e proteção. “Não se trata de medo, mas de consciência”. “A espiritualidade não compactua com injustiça, nem com discurso vazio.”
Combate a estigmas e desinformação
A frase como “Exú cobra direitinho” deve ser compreendida dentro do seu contexto cultural e religioso. Fora dele, acabam sendo usadas de forma sensacionalista, alimentando preconceitos históricos contra religiões de matriz africana.
“O problema não está na entidade, mas na interpretação rasa que se faz dela”. “Exú representa ordem dentro do movimento. Ele ensina que toda escolha tem consequência.”
Espiritualidade como responsabilidade
Em um cenário onde a fé muitas vezes é usada como justificativa para atitudes incoerentes, o discurso sobre a lei do retorno surge como um chamado à responsabilidade individual. A espiritualidade, segundo líderes religiosos, não serve para atacar, manipular ou se colocar acima do outro, mas para alinhar caráter, ação e consequência.
Mais do que uma frase de impacto, o conceito reforça um ensinamento ancestral: caminhos se abrem para quem anda com verdade.







Comentários