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Brasil vive contradição entre costumes afro-brasileiros e preconceito religioso, aponta liderança de terreiro

Por Redação | 31 de dezembro de 2025


Rio de Janeiro — No país onde milhões pulam sete ondas, jogam flores ao mar e tomam banhos de ervas na virada do ano, o apagamento e o preconceito contra as religiões de matriz africana seguem presentes e alarmantes. A denúncia, feita com firmeza e emoção por uma liderança espiritual do Candomblé, viralizou nas redes sociais às vésperas do Réveillon e acendeu um importante debate sobre respeito, ancestralidade e resistência.


“Você quer o ritual, mas rejeita a raiz. Quer o benefício, mas nega o povo que criou”, dispara o sacerdote em um vídeo contundente. A fala se refere à apropriação descontextualizada de símbolos e práticas oriundas das religiões afro-brasileiras, amplamente utilizadas em rituais de passagem, como o Réveillon, sem o devido reconhecimento de suas origens sagradas.

O discurso lembra que práticas como o uso de roupas brancas, as oferendas a Iemanjá e os banhos de ervas têm raízes diretas nas tradições trazidas pelo povo preto, que mesmo sob escravidão e repressão, manteve viva uma fé que hoje permeia a cultura nacional. “Não é só cultura. É fé. É sobrevivência. É identidade”, reforça.


A crítica também expõe a hipocrisia de um país que celebra os elementos afro-brasileiros em datas festivas, mas fecha os olhos para a violência contra terreiros, pais e mães de santo, e a constante tentativa de apagar a presença do povo de Axé dos espaços públicos.


“O povo de Axé ajudou a construir essa festa linda de Réveillon. Foi com fé no mar, com a roupa branca e a flor na mão, que Copacabana virou símbolo pro mundo inteiro”, pontua.


Ao final, o apelo é direto: que aqueles que se beneficiam da força espiritual dessas práticas também aprendam a respeitar suas origens e lutem contra o preconceito. “Ou a gente se levanta agora, ou continuamos sendo usados, calados e esquecidos.”


A mensagem ganhou milhares de compartilhamentos e se tornou um manifesto pela visibilidade e pelo direito à fé. Em um Brasil marcado por contrastes, o Axé segue resistindo e falando alto.


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