
Carta Aberta ao Prefeito Eduardo Paes
- Baba Rodrigo
- 31 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2025
Senhor Prefeito,
Em meio aos preparativos para mais um Réveillon em Copacabana uma das maiores festas do mundo vimos com preocupação a confirmação da construção de um palco gospel, fruto da articulação da bancada evangélica.
Esse gesto, embora legítimo dentro de um estado laico, escancara um problema histórico e estrutural: o apagamento contínuo do povo de Axé nos espaços públicos e culturais que ele próprio ajudou a construir.
É importante lembrar que o Réveillon em Copacabana nasceu com o povo de santo. Foi o branco das roupas, as flores ofertadas ao mar, os cantos, os pedidos e os ebós que deram sentido espiritual a essa festa — antes mesmo dos grandes palcos e fogos.
Hoje, no entanto, assistimos à exclusão simbólica daqueles que sempre estiveram ali.
Por isso, fazemos um apelo respeitoso, mas firme:
Essa gente que se banha no mar com fé…
Essa gente que pede paz com flor nas mãos…
Essa gente que reza por proteção com o coração cheio de esperança…
Essa gente também votou no senhor.
Essa gente também acreditou na sua liderança.
Essa gente também fez parte da sua caminhada.
Sabemos que governar é complexo, que há pressões políticas e forças diversas. Mas pedimos: não esqueça dessa gente.
Essa mesma que sofre com a intolerância, que tem seus terreiros invadidos, seus filhos perseguidos, e mesmo assim segue resistindo com dignidade.
Incluir o povo de Axé não é favor, é reparação histórica.
É reconhecer uma das raízes mais profundas da cultura carioca e brasileira.
É garantir que todos os credos inclusive os de matriz africana tenham espaço, respeito e voz.
Que em 2026 possamos avançar no caminho do diálogo, da igualdade e do reconhecimento.
Com fé, respeito e esperança,







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