Sacerdotisa de Axé, Mãe Monique de Mulambo, morre e reacende debate sobre os desafios emocionais e sociais de líderes religiosos afro-brasileiros
- Baba Rodrigo
- 5 de jan.
- 1 min de leitura
A recente morte de Mãe Monique de Mulambo, figura carismática e respeitada dentro das religiões de matriz africana, abalou o povo de axé e trouxe à tona uma discussão urgente: os desafios enfrentados por sacerdotes e sacerdotisas no Brasil.
Conhecida por seus vídeos espirituosos e sua presença marcante nas redes sociais, Mãe Monique se tornou símbolo de resistência e fé . Por trás do sorriso fácil, no entanto, havia dores invisíveis como as enfrentadas por tantos outros líderes religiosos que se dedicam incansavelmente ao cuidado do próximo, muitas vezes sem receber o mesmo cuidado de volta.
Ser sacerdote ou sacerdotisa de matriz africana no Brasil é resistir diariamente. À intolerância religiosa, ao racismo, ao abandono institucional. Além disso, há o peso da responsabilidade espiritual, emocional e social sobre cada líder: são eles que acolhem, orientam, sustentam. Mas quem cuida de quem cuida?
A morte de Mãe Monique escancara uma realidade pouco falada: o esgotamento, a solidão e o adoecimento de muitos líderes de terreiro. Falta suporte psicológico, apoio financeiro, reconhecimento institucional falta, sobretudo, humanidade para enxergar que esses líderes também são humanos.
Este momento não pode passar despercebido. É necessário refletir, criar redes de cuidado mútuo, oferecer suporte real a quem carrega o axé nas mãos e no coração.
Que Mãe Monique de Mulambo seja lembrada não apenas por sua alegria, mas como símbolo de um chamado: o de cuidarmos mais dos nossos, antes que seja tarde demais.







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